Mercado da Cannabis: México

A história do México com a cannabis é complicada devido à relação do país com o crime organizado e os cartéis, que controlam o tráfico na região — agravada ainda mais por sua posição geográfica estratégica. Mas, em 2017, um presidente (Calderón) sugeriu que leis extremas não seriam a resposta, adotando uma abordagem mais progressista. Assim, a cannabis medicinal foi legalizada.

A maior mudança, no entanto, veio em 2021, quando o uso recreativo foi efetivamente descriminalizado para consumo pessoal. Decidiu-se que a posse de até 28g e o cultivo de até 8 plantas em casa seria permitido.

Esse tipo de lei ambígua — onde o consumo é liberado, mas a comercialização ainda é proibida — pode criar algumas “brechas legais” que acabam permitindo o surgimento de clubes canábicos ou dispensários, algo semelhante ao que acontece hoje na Espanha.

Alguns dizem que é isso que também acontece no México e, por isso, vez ou outra surgem notícias sobre lugares onde o consumo e a venda de maconha seriam permitidos. Eu, pessoalmente, não visitei nenhum desses espaços, pois estava no país bem na época em que as medidas foram autorizadas, mas ainda não implementadas.

De qualquer forma, o uso de cannabis é comum no país e, na capital, existem até sites que fazem entregas. Só é preciso estar atento a um fator importante: no México, quando te dizem que vão chegar com a sua plantinha em 20 minutos, esteja preparado para esperar pelo menos 2 horas. 😅


CBD | Cânhamo

Uso da cannabis pelos maias e astecas

Também em 2017, o CBD foi legalizado para uso medicinal, desde que contenha no máximo 1% de THC em sua composição. Assim, ele pode ser utilizado em medicamentos, cosméticos, alimentos e na forma de óleos – basicamente tudo!
Se a concentração de THC for superior a 1%, ainda é possível conseguir uma autorização para uso.

Por outro lado, o cânhamo continua proibido para uso industrial, o que evidencia a dualidade entre as leis que permitem ou proíbem o uso da cannabis de diferentes formas.

Não é novidade que civilizações antigas utilizavam a cannabis de diversas formas. Há registros do uso da planta em tecidos, com fins medicinais e também em rituais espirituais — como já falamos aqui na GirlSeeds sobre países como Egito e Índia.

No México, também há indícios (ainda que não provas concretas) de que os maias e astecas usavam a planta de forma ritualística (junto com outros alucinógenos naturais) ou medicinalmente. Algumas ruínas que já foram confundidas com pirâmides eram, na verdade, grandes plantações de maconha. Acredita-se que eles consumiam a planta de forma semelhante ao tabaco: triturando a flor em pó para preparar uma bebida alcoólica potente.

Nas culturas mesoamericanas, o uso de alucinógenos era comum para promover misticismo e comunicação com os deuses. Essas civilizações acreditavam que os deuses viam com bons olhos essas substâncias alteradoras da mente, por serem uma ponte entre os pensamentos humanos e o divino.

Já quem não acredita nessa teoria, tende a afirmar que a cannabis foi trazida pelos espanhóis por volta de 1800, quando o país foi invadido. As expedições usavam o cânhamo na construção de cordas e outros materiais.


Onde ir no México:

Viajar pelo México como um stoner é uma experiência incrível, pois não encontramos grandes dificuldades para adquirir a planta. Seja em festas, na praia… ela está sempre por perto.
Passei 7 meses no país e vou compartilhar meus lugares favoritos — além dos mais comuns e sempre citados, como Tulum e Cancún (que, por sinal, achei terrível).


HOLBOX

Holbox é uma ilha paradisíaca ao norte do estado de Quintana Roo. É pequena e tem aquela vibe típica de ilha divertida, animada, com bares, jovens e onde o tempo passa de forma diferente — talvez porque não há carros.
Lá, sapatos são meros acessórios, o mar é cristalino e é fácil encontrar planta — especialmente nos arredores do The Hot Corner, o bar mais animado da ilha à noite, onde rola salsa.
Se você curte eletrônico, recomendo o Salma.


PUERTO ESCONDIDO

Do outro lado do país, no estado de Oaxaca, está Puerto Escondido — um dos melhores lugares do México, sem dúvidas. Conhecido como o “Tulum de 10 anos atrás”, tem muitas festas, jovens, praias paradisíacas com ondas gigantes e pores do sol incríveis.
Comprei maconha num bar dentro de um hostel, mas é muito fácil de encontrar.


ZIPOLITE | MAZUNTE

Pegando um colectivo — uma van compartilhada comum na região — a partir de Puerto, você chega nessas duas vilas de praia maravilhosas.
Adorei as duas, mas preferi Zipolite, onde passei quase um mês. A praia é nudista, tem feira de artesanato à noite, festas na areia e muita gente legal. Lá também é super fácil encontrar planta.


SAN JOSÉ DEL PACÍFICO

Também em Oaxaca, algumas horas ao norte de Mazunte, fica essa vila mágica nas montanhas, onde os medicamentos com cogumelos são amplamente conhecidos e utilizados.
É o lugar mais fácil para encontrar haxixe, e com preço bom, além de outros medicinais se for do seu interesse.
Recomendo fortemente que qualquer stoner visite este lugar — mais calmo e introspectivo que as outras vilas festivas de Oaxaca.


HUASTECA POTOSINA

Se o que você busca é natureza, esse é o lugar ideal. Com inúmeras cachoeiras, muitas delas de águas cristalinas, a Huasteca impressiona pela beleza natural e, curiosamente, a maioria dos turistas são mexicanos, com poucos internacionais.

Outra atração da região é o Jardim Surrealista de Edward James, um artista excêntrico dos anos 1920, no auge do movimento surrealista. O jardim é incrível, com escadarias que não levam a lugar nenhum, totalmente psicodélico.

A Huasteca (região vasta entre os estados de Veracruz e San Luis Potosí) também é a porta de entrada para Real de 14, onde começa o deserto mexicano, local onde é possível encontrar outra medicina ancestral conhecida como Peyote — um tipo de cacto usado por povos indígenas para autoconhecimento e conexão espiritual.
Experimentei essa medicina e foi uma experiência muito bonita.

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